sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Almoço, Depois do


Hoje a minha manga é mais triste
já vem cortada e descascada
sobre a bandeja com outras comidas
de um restaurante no centro.
Hoje a minha manga é mais triste
não vem vestida de casca
pra se arrancar no dente
seu fiapo quase não agarra entre eles
e não se matar pra arrancar os fiapos depois de uma manga, pra mim, é o cúmulo.
Hoje minha manga é mais triste
não lutamos pra ver quem vencia a batalha
de continuar no pé ou cair, com sorte, na minha mão ou mais provavelmente no chão.
Hoje a minha manga é mais triste
está ela vencida no prato, já cortada, já descascada
e mais que o cúmulo do fiapo, é come-la de garfo e faca
com o frescor falso do ar refrigerado
sem a enorme copa da mangueira sobre a cabeça
fazendo as vezes do céu.
Parecia uma casa embaixo do pé de manga
e o restaurante não.
Me alimentava a manga embaixo da sua árvore-mãe.
Hoje a manga do restaurante me dá agrotóxico e tanta saudade.

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